Vou de Bike: documentário discute o papel da bicicleta na mobilidade urbana em Maringá

Vou de Bike: documentário discute o papel da bicicleta na mobilidade urbana em Maringá

Filme produzido pela Circular Cultural terá lançamento gratuito e aberto ao público no final de março

Com ruas e avenidas amplas e um relevo predominantemente plano, Maringá é uma cidade que tem as características físicas ideais para quem deseja usar a bicicleta como meio de transporte. Entretanto, basta uma breve passagem pelas principais vias para perceber: ainda são os carros e as motos que dominam ostensivamente as ruas.

Apesar de ainda não ser vista como uma opção de transporte para grande parte da população, a bicicleta é um modal que traz benefícios como saúde, economia e até ganho de tempo para quem pedala. E as vantagens geradas pelos ciclistas não ficam só no âmbito pessoal. Como meio de transporte, a bike tem um papel fundamental nos problemas de tráfego, na mobilidade, uso e democratização dos espaços nas cidades.

Idealizado e produzido pela Circular Cultural, o documentário Vou de bike: Mobilidade Urbana e o Direito à Cidade em Maringá surgiu para discutir justamente essa questão. O filme acompanha pesquisadores, ciclistas e cicloativistas que disputam as ruas com os carros diariamente. Além de contarem suas experiências andando de bike em Maringá, eles também discutem as soluções e os caminhos possíveis para que a cidade seja mais segura para quem pedala e se torne referência nacional em mobilidade urbana.

“Mais do que veículos de locomoção, as bicicletas são um forte símbolo dessa discussão sobre cidades sustentáveis, mobilidade e ocupação dos espaços públicos, assunto que vem se tornando cada vez mais urgente nas cidades cidades contemporâneas”, diz a equipe de produção sobre a escolha do tema do filme.

Carros x Bikes em Maringá

Com uma população estimada de 417.010 habitantes em 2018 (IBGE), Maringá fechou o último ano com 315.352 veículos motorizados nas ruas (Detran/PR) – uma média de 3 carros para cada 4 pessoas. No mesmo ano, foram contabilizados 300 acidentes de trânsito envolvendo bicicletas, resultando em 8 mortes de ciclistas (Semob – Secretaria de Mobilidade Urbana).

A falta de segurança para o ciclista no trânsito ainda é um dos principais motivos que afastam as pessoas da bicicleta.As pesquisas que fiz durante a graduação e o mestrado mostram que aproximadamente 47% das pessoas não usam a bicicleta por medo”, conta Eduardo Simões Flório, cicloativista e pesquisador, um dos entrevistados do documentário. “A bicicleta em si não é um meio de transporte inseguro. O que é inseguro é ela estar inserida em um meio urbano que não é favorável à ela”, constata ele.

Com 45 minutos de duração e classificação livre, o média metragem foi produzido por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e conta com fomento cultural do ICI (Instituto Cultural Ingá) e patrocínio do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul). O lançamento está previsto para o final do mês de março, com sessões de exibição gratuitas e abertas ao público.

“Mais do que discutir sobre modais de transporte, o documentário tem o objetivo de ressaltar a importância do direito à cidade. Do acesso seguro e democrático às áreas que concentram serviços essenciais, equipamentos culturais, de lazer e convivência – que são fundamentais para o exercício da cidadania”, finaliza a produção.
 

 

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