Instituto Cultural Ingá contribui na construção de políticas públicas, em Maringá

Instituto Cultural Ingá contribui na construção de políticas públicas, em Maringá

Desde sua fundação, em 2011, o Instituto Cultural Ingá (ICI) trabalha na ampliação das atividades do mercado artístico e cultural. Como agência de fomento e incentivo as artes e à cultura, a entidade visa, também, ser um elo entre ideias criativas e empresas que acreditam na Cultura como ferramenta de desenvolvimento social.

Com mais de 108 projetos apoiados diretamente, o ICI é responsável pela captação de R$ 6.725.350,00 via Lei Rouanet, e por mais R$ 1.090.000,00 captados via patrocínio direto. Autoridade em fomento à cultura, o Instituto também é palco de diversas benesses a sociedade maringaense, incluindo o auxílio na criação de políticas públicas.

De acordo com Miguel Fernando, que esteve à frente da entidade por 8 anos e hoje atua como secretário da Cultura de Maringá, a cena artística e cultural de Maringá, em 2011, era subestimado. “As pessoas não enxergavam a potência da cidade, que já tinha trabalhos excepcionais, mas que poderiam atingir os mais altos níveis na esfera nacional”. Miguel afirma que a criação do ICI nasceu da necessidade de desenvolver o projeto natalino da cidade, mas que, com o passar do tempo, perceberam que se tratava de algo bem maior. “Começamos literalmente do zero. Não tínhamos modelo algum e não existe, até hoje, uma instituição como o ICI que trabalha especificamente no fomento as artes e à cultura”.

Mesmo diante a um cenário pouco delimitado, a entidade enxergou a necessidade de estar vinculada a outras várias empresas. Foi assim que decidiram implantar a sede na Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM), para ganhar força e identidade própria.

Trajetória

Em 2012, o ICI foi parceiro, ao lado Instituto Museu da Família e Instituto Memória e Vida, na primeira reunião fora da capital da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), um órgão colegiado que tem, entre outras, a função de subsidiar as decisões do Ministério da Cultura (MinC) na aprovação dos projetos culturais submetidos para captação via renúncia fiscal da Lei Rouanet. “A intenção foi que todos conhecessem a cidade e, ao mesmo tempo, fossem sensibilizados quanto a atuação artística por aqui. O que proporcionou garantias e relacionamento com o Ministério da Cultura”, lembra Miguel.

Já no próximo ano, em 2013, a entidade elaborou o 1º edital ProCultura, programa voltado para produtores interessados em participar da programação de Natal da cidade. Os projetos de até R$ 100 mil foram financiados por empresas locais por meio de renúncia fiscal. “Em 2014, começamos a transformar a cidade em um polo de captação de recursos via Lei Rouanet. Foi então que nasceu o edital Viapar Cultural, o primeiro a ser realizado por uma concessionária de rodovias. 2014, 2015 e 2016 foram os anos mais críticos da Lei Rouanet em âmbito nacional, mas na nossa região não houve declínio, nós continuávamos a alavancar recursos”, conta Miguel.

O secretário lembra que o Instituto Cultural já se propôs a atuar em outros municípios, mas, mediante a experiência que adquiriram, perceberam o quanto era importante que cada cidade tivesse sua própria entidade de fomento as artes e à cultura. “É essa proximidade que faz a diferença na hora de captar recursos e validar a qualidade dos projetos. Em 2014, realizamos palestras em Rio Verde (GO) e Piracicaba (SP). Sempre fomos modelo de fomento, é por isso que várias entidades, órgãos públicos e privados, nos procuravam em busca de informações. Estar em outras cidades foi importante sim, mas o foco territorial do ICI sempre foi Maringá”.

O secretário da cultura, lembra, também, que o ICI foi um dos principais responsáveis pela criação da MACUCO, Maringá Cultural Cooperativismo, ao lado do SICOOB.

Conferência Pública de Cultura

Em 2016, o ICI foi uma das peças importantes na realização da Conferência Municipal de Cultura, junto de diversas outras instituições, como o Grupo de Trabalho criado na Câmara Municipal, bem como o Conselho Municipal de Cultura.

A Conferência teve o objetivo de abrir espaço para a discussão de metas e diretrizes que pretendiam compor o Plano Municipal de Cultura. O Plano foi criado com a finalidade de promover o desenvolvimento humano, social e econômico, com pleno exercício dos direitos culturais.

“Em 2017, com a contribuição do ICI, e em parceria com a Secretaria de Cultura e do Conselho Municipal de Cultura, foi possível trazer à cidade Kennedy Piau. A palestra, em meio a construção do Plano Municipal, foi essencial para mudar as diretrizes que a Prefeitura estava tomando sobre o assunto”. Miguel acredita que o momento de maturidade do Instituto aconteceu no mesmo ano, quando Teixeira Coelho esteve na cidade e levantou forte questionamento sobre a diferença entre arte e cultura. Na ocasião, o palestrante afirmou que era preciso entender essa distinção, uma vez que a gestão pública estabelece princípios gerais para arte e cultura. Segundo Miguel, foi a virada de chave do ICI.

 

Capacitação

Todo esse movimento, que certifica a atuação do Instituto, tem como viés a sustentabilidade dos produtores nas ações artísticas e culturais. “Sem conhecimento não há projetos, sem projetos não há ações, não há desenvolvimento. Então, precisamos assegurar o processo de criação, produção e distribuição do produto final, e isso fazemos, também, por meio das capacitações que desenvolvemos gratuitamente, desde 2013, em Maringá”, afirma Alan Gaitarosso, consultor sênior do ICI.

Movimento Prospera

Lançado há poucos dias, o Movimento Prospera também conta com a participação do ICI, além mais quatro importantes entidades de Maringá: Observatório Social de Maringá (OSM), Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM), Conselho Comunitário de Segurança de Maringá (Conseg) e Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem).

O movimento pretende promover o protagonismo social interagindo com o poder público na busca de bons serviços. Além disso, buscará promover ações que mostrem o quanto a sociedade também pode se organizar e contribuir com o desenvolvimento das cidades. O projeto vai ao encontro da Campanha da Fraternidade 2019 da Igreja Católica que pretende refletir sobre políticas públicas.

 

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