Mostra multicultural Coletiva inaugura terceiro momento expositivo

Mostra multicultural Coletiva inaugura terceiro momento expositivo

“Entre a permanência e a obsolescência na arte” abriga obras de Edson Xavier Antunes, Ronis Furquim, Maria Goretti Bernardes e Maria do Carmo Albuquerque

A Coletiva Mostra Multicultural inaugurou no último dia 31 a terceira mostra do projeto, com o tema “Entre a permanência e a obsolescência na arte”, que expõem obras de quatro artistas filiados à Macuco (Maringá Cultural Cooperativismo): Edson Xavier Antunes, Maria do Carmo Albuquerque, Maria Goretti Bernardes e Ronis Furquim. A exposição continua aberta gratuitamente até o dia 13 de abril, de segunda a sexta, das 9h30 às 13h e das 14h30 às 19h, na sede da Coletiva (Rua Padre Vieira, 443, Zona 7).

No dia da inauguração, o espaço contou com a presença de Edson Xavier Antunes, Ronis Furquim e a curadora Isabel Cristina Bogoni, para a primeira roda de conversas deste terceiro momento expositivo. Em breve, uma nova conversa será realizada para discutir um pouco mais sobre a mostra e a cultura na cidade.

“O tema é uma dicotomia entre duas coisas que só existem por que seu contrário existe. Aplicado como tema, leva a pensar no intrigante que é criar arte com a premissa de que tudo já foi feito. A reflexão é sobre o que exatamente permanece daquilo que fazemos de nossa arte?” Esse é o questionamento levantado pela curadora.

Isabel ainda explica que os objetos precisam da objetividade da existência, desenvolver um questionamento, ter uma presença. É a isso que ela se refere sobre ser permanente. Em relação a obsolescência na arte, a curadora afirma que, na maioria das vezes, tudo vai se desconstruindo, tanto no campo das artes quanto na vida de qualquer pessoa. Tudo vai se desfazendo e desintegrando.

“Por que eu pergunto isso na arte? Porque é meio lógico, mas ao mesmo tempo é meio difícil de compreender. É lógico porque grandes obras, obras que a gente diz ser transcendentes ou obras com grandes áureas, realmente são permanentes. Transformam-se em novos tipos de imagens, novas mídias, novos suportes, mas continuam sendo e carregando os mesmos conceitos. Obsoleto, porque, ao mesmo tempo, são feitas com técnicas que não se utilizam mais, afresco de parede, maneira canônica de representar, por exemplo”, aponta.

A técnica utilizada por Ronis Furquim é um bom exemplo dessa permanência e obsolescência na arte. As obras expostas por ele são fotografias manipuladas digitalmente, onde foi aplicado o efeito anaglifo (ou 3D), que precisa de óculos especiais (aqueles com lentes azul e vermelha) para ser apreciado. Ao utilizar o efeito anaglifo, o artista maringaense recorre a uma técnica desenvolvida em meados do século 19. Assim, ao utilizar, na atual era digital, essa tecnologia “obsoleta” e analógica, as obras expostas, ao fazer essa ligação entre o moderno e o antigo, questionam o que permanece do nosso esforço criativo-artístico.

“O visitante é levado a uma interação não usual com a exposição, pois esse sai da posição de observador passivo e participa dessa diferenciada proposta sensorial, saindo da sua zona de conforto, para vivenciar uma experiência não convencional nesse tipo de ambiente expositivo. Daí vem a ‘permanência’, pois a proposta é que o ineditismo dessa experiência seja lembrado pelo visitante”, esclarece o artista.

O engajamento entre os trabalhos apresentados pelos quatro artistas se dá pela lógica do desejo criativo de representar os objetos pela expressividade e pela experimentação. A arte como uma cura para as buscas incessantes em dar sentido e significado ao próprio mistério que a arte leva consigo, nos convida a olhar para essas mudanças tão gritantes entre o fazer do homem e as novas tecnologias.

No caso de Edson Xavier Antunes, a obra dele é o contra ponto da obsolescência. O painel construído com sucatas de madeira, teve início no garimpo de matéria prima descartada, onde surge a recriação e a permanência. Com penduricalhos “estranhos”, peças do cotidiano e objetos que remetem a infância, os materiais do trabalho sempre apontam um ciclo da vida do autor.

As ceramistas Maria do Carmo Albuquerque e Maria Goretti Bernardes apresentam dois tempos diferentes no uso da cerâmica: a primeira marca o tempo da transferência, da vivência entre gerações, com peças no estado cru ou cozido. A segunda marca o tempo na ambiguidade entre a rigidez e a maleabilidade, naquilo que o objeto, mesmo enquanto suporte cerâmico, transmite. As duas artistas se distanciam deste nosso aqui e agora se pensarmos em como o avanço da Inteligência Artificial começou a dar vida a objetos inertes, mas se aproximam do alimento incessante que a criatividade humana precisa.

COLETIVA

Desde setembro do ano passado, a Coletiva funciona como uma residência artística e profissional para produtores da cidade. A principal ideia é formar a população, com oficinas e acesso a exposições e discussões artísticas. E, por outro lado, criar postos de trabalho para os cooperados e, quando a cooperativa não tiver em seu quadro associativo, para profissionais da comunidade. Além, é claro, do espaço servir como ponto de encontro de artistas maringaenses.

Ronis destaca a importância da Coletiva disponibilizar espaço para exposições e oficinas gratuitas, o que traz benefícios para os artistas, que podem expor os trabalhos, ideias e angústias enquanto fomentadores da cultura, assim como é produtivo para a comunidade, que pode ter acesso a diferentes vertentes culturais, sempre de forma gratuita.

Edson coloca a dúvida do “espaço dado ao artista ou o artista contribuir para a realização do evento”. Para ele, a segunda opção é a resposta: “Pois, um evento dessa natureza não se realiza sem a participação do artista, porém, o artista verdadeiro é requisitado em qualquer ponto. De qualquer forma, um espaço novo é sempre bem-vindo.”

Isabel, por sua vez, aponta a importância não só do espaço físico para exposição de obras de artistas da região, mas também o espaço para trocar ideias com a população, durante as rodas de conversa. Exatamente por isso, em breve, uma nova roda de conversa será realizada.

 

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