Projetos premiados pelo Ministério da Cultura movimentam setor audiovisual

Projetos premiados pelo Ministério da Cultura movimentam setor audiovisual

O Programa Nacional de Fomento ao Audiovisual (Proav), lançado em julho de 2017 pelo Ministério da Cultura (MinC), está rendendo importantes resultados para o setor audiovisual brasileiro. A maior parte dos 135 projetos premiados, que receberam recursos de R$ 8,6 milhões, já foi entregue ou está em processo de finalização. São roteiros, curtas-metragens, canais web, aplicativos para celulares e tablets e festivais e mostras audiovisuais, que enriquecem o mercado e geram trabalho e renda para o setor.

A pesquisadora Ana Heloiza Pessotto foi uma das premiadas no Proav, no edital App Pra Cultura, que selecionou 40 projetos de criação de aplicativos e jogos eletrônicos culturais (cada um recebeu R$ 20 mil). Ela criou o aplicativo A CineastA, um banco de dados completo com informações sobre realizadoras mulheres, previsto para ser lançado ainda neste semestre. O aplicativo reúne fichas técnicas de longas, médias e curtas, séries e programas de TV, além de projetos universitários audiovisuais produzidos por mulheres.

O aplicativo A CineastA é resultado de uma dissertação de mestrado em Rádio e TV pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), que analisou a Lei da TV Paga (Lei 12.485/11), criada para estimular a difusão de conteúdo audiovisual brasileiro regional, diverso e independente. Ana Heloiza conta que, durante a pesquisa, identificou um número muito grande de mulheres na produção e muito pequena na direção. “Concluí meu mestrado em 2016 e, até hoje, se realizarmos uma enquete sobre diretoras mulheres brasileiras, as pessoas terão dificuldade de elencar cinco nomes”, lamentou.

Para a pesquisadora, o aplicativo tem duas funções primordiais: dar visibilidade às realizadoras nacionais e tornar-se um ponto de encontro de troca de informações entre elas. “Essas mulheres existem, têm uma postura de liderança e devem ser conhecidas por seus trabalhos. Há mulheres cineastas que, mesmo estando há dez anos no mercado, ainda têm dificuldade de conseguir patrocínio para seus projetos”, pontuou.

Roteiros

Veterano no audiovisual, em especial na animação, o paulistano Céu D’Ellia foi um dos contemplados do edital de roteiristas do Proav, que premiou, com R$ 40 mil cada, 12 roteiros cinematográficos. Com o projeto Sete-Estrelo (Ter um lugar), D´Ellia busca resgatar o universo da imigração.

Segundo D´Ellia, a inspiração para o roteiro veio quando morava em Nova Iorque, nos Estados Unidos, próximo à Estátua da Liberdade, ponto turístico e um dos principais locais de chegadas de imigrantes naquela cidade. “Sendo também filho de imigrantes e morando fora do meu País, este era um tema que me tocava muito. Em outro trabalho, já tinha abordado a questão do tráfico de crianças na Tailândia, que também perpassa por essa questão de não ter terra, um lugar, uma pátria”, comentou.

A ideia do roteirista e cineasta é assegurar que o roteiro tenha a sua produção viabilizada inicialmente a partir de um curta-metragem. “Temos um determinado trecho da história, que tem apelo como curta-metragem e é capaz de alavancar o projeto. Nossa ideia é viabilizar o filme por meio de uma coprodução internacional”, disse.

Inovação e diversidade

Uma das grandes novidades do Proav no ano passado foi a criação de editais inéditos, mais sintonizados com as demandas da sociedade atual. Um deles foi o Juventude Vlogueira, que premiou, com R$ 50 mil cada, 16 canais inéditos, de veiculação gratuita e com temática livre.

O desejo de produzir arte e dar voz à militância política, racial e da diversidade sexual e de gênero levaram o estudante de Cinema Izah Cândido Siham, em parceria com Wanderson Viana, a criar o canal Corpo Flor WebDoc, dividido em dois espaços: vlog e websérie. “A ideia é abordar temas que perpassam nossa sociedade, como identidade de gênero, negritude e espiritualidade. Queremos conversar com pessoas que possam nos oferecer uma visão diferente. De um modo geral, o público está sedento por outras narrativas que não sejam tão eurocentradas, brancas ou heteronormativas”, destacou Siham, um dos premiados no edital Juventude Vlogueira.

Corpo Flor é também o título de uma performance da artista plástica e estudante de psicologia Castiel Vitorino Brasil, que participa do episódio-piloto publicado no canal no início de março deste ano. “O nome do projeto se relaciona com o trabalho de Castiel, que investiga o corpo como potência de várias identidades, inclusive a da ‘bicha preta’. Como homem trans, não tinha como não pensar em questões como masculinidade ou feminilidade”, ponderou Siham.

Mostras e festivais

Além de editais tradicionais, como os de apoio à produção de roteiros e de curtas-metragens, o Programa de Fomento ao Audiovisual (Proav) trouxe pela primeira vez uma linha totalmente voltada ao financiamento de mostras e festivais, viabilizada pela criação do Programa Nacional de Apoio a Festivais e Mostras Audiovisuais. Dividido em três modalidades, que levam em consideração o número de festivais e a quantidade de edições realizadas anteriormente, o edital premiou eventos com recursos entre R$ 80 mil e R$ 250 mil por projeto.

Entre os projetos selecionados no edital está a 5ª edição da Parada de Cinema – Mostra de Cinema Brasileiro Contemporâneo, que foi realizada de 2 a 6 de maio, em Teresina, no Piauí. Desenvolvida pelo Instituto Punaré/Canteiro, a mostra se propôs a discutir a presença da mulher no audiovisual, em especial no cinema autoral.

Na avaliação da produtora-executiva do festival, Layane Holanda, a aprovação do financiamento federal tornou o projeto ainda mais desafiador. “Nosso estado (Piauí), ao contrário de Pernambuco e Ceará, que tem uma cena mais consolidada, não tem uma indústria audiovisual estabelecida. Mas, mesmo diante desse cenário, conseguimos trazer para o festival 14 filmes inéditos, entre curtas, médias e longas-metragens”, ressaltou.

Parte da programação da 5ª Parada incluiu a Mostra Empodera, que exibiu, na abertura do festival, o filme Mulheres de Visão, documentário de estreia da cineasta Milena Rocha. Realizado em uma coprodução com a própria Parada de Cinema, a sessão contou com tecnologias de acessibilidade para portadores de necessidades especiais.

Fonte: Assessoria de Comunicação | Ministério da Cultura

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