Uso da internet na cultura ainda é desafio, aponta estudo inédito

Uso da internet na cultura ainda é desafio, aponta estudo inédito

O uso das tecnologias da informação e comunicação, as chamadas TICs, pode ser melhor aproveitado pelos equipamentos culturais brasileiros, tais como instituições culturais, bibliotecas, cinemas, museus, teatros e pontos de cultura. É o que revela a 1ª edição da pesquisa TIC Cultura 2016, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Segundo a pesquisa, a presença na internet, por meio de websites e redes sociais, a oferta de serviços on-line, e a ampliação do acesso universal à diversidade de expressões culturais pela web, são desafios a serem enfrentados pelos estabelecimentos que desempenham atividades culturais no Brasil. Foram ouvidos funcionários de 2.389 equipamentos culturais, incluindo arquivos públicos e privados, bens tombados, bibliotecas, cinemas, museus, teatros e pontos de cultura – entidades culturais certificadas pelo Ministério da Cultura (MinC). A pesquisa foi realizada entre novembro de 2016 e abril de 2017 e abordou questões como gestão interna, contato com o público e digitalização de acervos.

Presença na internet

De acordo com o estudo, o uso do computador é praticamente universalizado entre cinemas (98%) e arquivos (99%), por exemplo, mas ainda pode ser expandido em bens tombados (69%), bibliotecas (78%) e museus (81%). O uso da Internet revela um cenário semelhante: 98% dos cinemas e 97% dos arquivos estão conectados. Mas o percentual cai quando analisados os teatros e pontos de cultura (84%), os museus e bibliotecas (74% e 72%, respectivamente) e os bens tombados (64%).  A pesquisa também mostra desigualdades regionais: enquanto 81% das bibliotecas da região Sudeste utilizaram a Internet no ano anterior à pesquisa, o percentual alcança apenas 49% entre aquelas da região Norte.

A maior parte das instituições oferece serviços, informações ou assistência ao público pela Internet, com destaque para arquivos de informações (82%) – públicos e privados – e cinemas (76%). Entre os serviços oferecidos pela Internet, destacam-se a venda ou reserva de ingressos entre teatros e cinemas – estes agregam o maior percentual na venda de produtos e serviços (57%).

Quando analisa a presença nas redes, a pesquisa mostra que websites próprios são mais comuns entre cinemas (73%) e arquivos (57%) do que entre teatros (42%), museus (35%) e bibliotecas (9%). Já nas redes sociais, a presença é mais frequente: mais da metade dos cinemas (94%), pontos de cultura (77%), teatros (62%) e arquivos (54%) tem perfis nas mídias sociais. O percentual é menor nos museus (49%), bens tombados (48%) e bibliotecas (35%).

Em busca de melhorias

A pesquisa TIC Cultura revela, ainda, que a maior parte dos equipamentos culturais não tem área ou departamento de TI, nem contrata serviços nessa área, exceto no caso dos cinemas.  A justificativa apontada é a escassez de recursos financeiros, além do uso de dispositivos ultrapassados e a baixa velocidade de conexão.

Outro ponto da pesquisa diz respeito à digitalização de arquivos: a prática é mais comum nos arquivos públicos e privados (74%), pontos de cultura (63%) e museus (58%). A maior parte dos equipamentos, entretanto, digitalizou menos da metade dos itens de seus acervos – a principal dificuldade apontada é a falta de financiamento, seguida da falta de equipe qualificada. Mesmo entre aqueles que contam com acervo digitalizado, a maior parte o disponibiliza para o público na própria instituição, e não na Internet.

Formação e Informação

Em relação às atividades de capacitação e formação oferecidas ao público, tais como oficinas de cultura, a pesquisa aponta que elas ainda são predominantemente presenciais entre todos os tipos de equipamentos – a oferta de formação à distância não é prática comum, apresentando percentuais acima de 10% apenas entre pontos de cultura (13%) e arquivos (17%).

Já nos pontos de cultura, destacam-se o uso das tecnologias da informação e comunicação para a captação de recursos (54%), para a busca de informações sobre editais governamentais (77%) e para a participação nesses editais (74%), por exemplo.

 

Fonte:  Assessoria de Comunicação | Com informações do Cetic.br | Ministério da Cultura

 

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