Em discurso de posse, ministro Sérgio Sá Leitão destaca importância da cultura para a economia

Em discurso de posse, ministro Sérgio Sá Leitão destaca importância da cultura para a economia

A importância estratégica da cultura para a economia e a necessidade de se criar um pacto dentro governo em prol da reconstrução do Ministério da Cultura (MinC) foram os destaques do discurso do novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, durante a cerimônia de posse realizada na manhã desta terça-feira (25), no Palácio do Planalto, em Brasília.

Diante de uma plateia de cerca de 350 pessoas, entre autoridades do Executivo, Legislativo e representantes do setor cultural, o ministro enfatizou sua disposição em criar amplos canais de comunicação entre o ministério, as áreas governamentais e a classe artística. “Quero estabelecer um diálogo transversal com todas as áreas governamentais, para que a política de cultura seja não apenas do MinC, mas do conjunto do governo. O objetivo é que essa interação seja igualmente plena entre estados e municípios, e com o conjunto da cultura brasileira, para entender seus anseios e necessidades”, declarou.

Em seu discurso, Sérgio Sá Leitão afirmou que o Brasil merece uma política cultural à altura da excelência de seus artistas e de seu patrimônio histórico e artístico, que deve ser preservado. “Produzir e acessar cultura são direitos dos cidadãos e integram o repertório básico da cidadania. É também uma atividade econômica importante, que pertence sobretudo à sociedade. Não cabe ao Estado produzir ou definir o que é e o que não é cultura”, disse.

Em sua avaliação, a cultura deve ser um dos pilares do novo projeto de país que todos desejam construir. “O Brasil de hoje exige que mais brasileiros sérios, capazes e íntegros agarrem as rédeas do seu, do nosso destino, e se provem à altura das circunstâncias. Quero contribuir, a partir do Ministério da Cultura, para que o país supere a crise o mais rapidamente possível e para que a sociedade perceba a importância econômica e social da cultura e valorize o setor como ele precisa ser valorizado”.

Economia da Cultura

O impacto econômico das atividades culturais e criativas foi fortemente destacado pelo ministro, que trouxe diversos dados estatísticos fundamentando a importância do setor na economia. Sérgio Sá citou estudo recente publicado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que aponta que a cultura responde por 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, empregando cerca de 900 mil profissionais e reunindo 251 mil empresas, com uma média salarial e uma taxa de crescimento que, nos últimos anos, correspondem ao dobro da média da economia do país.

“Trata-se de uma área com PIB maior do que o das indústrias têxtil, farmacêutica e de eletroeletrônicos, para mencionar três setores tradicionais da economia brasileira que também são impulsionados por incentivos fiscais, sem que se reclame do apoio governamental. Vale dizer que a Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet – representa apenas 0,66% da renúncia fiscal em nível federal, estimada em R$ 271 bilhões em 2016. Este setor retorna ao Estado, na forma de impostos, bem mais do que o Estado aporta nele por meio de incentivos”, ressaltou.

Segundo levantamento da PriceWaterhouseCoopers, também apresentado pelo ministro em seu pronunciamento, o conjunto do mercado brasileiro de mídia e entretenimento, que integra o universo da cultura, deve crescer nos próximos anos a uma taxa média anual de 4,6%, frente a uma média global de 4,2%, atingindo um faturamento de US$ 43,7 bilhões em 2021. “No mundo, trata-se de uma economia que deve chegar a US$ 2,23 trilhões em 2021. É um dos vetores mais relevantes da economia global, para o qual o Brasil tem evidente vocação. São números muito expressivos, mas nem sempre reconhecidos”, pontuou.

Novo Plano Nacional de Cultura

O ministro Sérgio Sá Leitão salientou que, nos próximos 17 meses, tempo que deverá permanecer à frente da Pasta, vai trabalhar pelo fortalecimento de algumas das políticas tradicionais do MinC, como os Pontos de Cultura, e investir na elaboração de um novo Plano Nacional de Cultura. “Contem comigo para levantar e tremular incondicionalmente a bandeira da cultura, da diversidade cultural e da produção cultural brasileira, em suas várias vertentes”, reiterou.

Para o ministro, a recomposição orçamentária do Ministério da Cultura e uma mudança administrativa dentro do MinC são pontos essenciais que exigirão sua atenção. “Do meu lado, farei o possível para reduzir custos e aumentar receitas, por meio de um choque de gestão e do absoluto respeito aos princípios constitucionais da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Pretendo também desburocratizar o MinC, aumentar sua eficiência, dentro das melhores práticas de prestação de contas”.

A valorização dos servidores do MinC e de suas instituições vinculadas – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), Fundação Cultural Palmares (FCP), Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Fundação Nacional de Artes (Funarte) e Agência Nacional do Cinema (Ancine) – será também uma das marcas de sua gestão. “Os servidores são a alma de qualquer instituição pública. Saibam que vocês têm em mim um admirador e um incentivador”, assegurou.

O presidente Michel Temer destacou o tamanho do público presente na posse e afirmou que o novo ministro vai imprimir um novo ritmo ao setor cultural no país. “Sérgio Sá Leitão vai trazer muita energia e dedicação para o nosso governo, por meio do Ministério da Cultura. Ele é um homem de cultura e da cultura, por seus conhecimentos e por sua vasta experiência em cargos públicos, todos diretamente ligados à área. Com a sua chegada, estamos com nossos olhos voltados para a cultura brasileira”, elogiou.

Coletiva de imprensa

Logo após a cerimônia de posse, Sérgio Sá Leitão concedeu sua primeira entrevista coletiva à imprensa como ministro, na qual mais uma vez evidenciou sua disposição ao diálogo e rechaçou posicionamentos intransigentes. “Pretendo fazer uma gestão baseada no debate. Receberei todos os segmentos culturais, para conhecer seus anseios e especificidades. Esse clima de radicalização não é interessante para ninguém. Precisamos ser pragmáticos e buscar o consenso para termos um Ministério que funcione de fato e que seja valorizado pelo governo e pela sociedade”, concluiu.

Comentários

comentários

Sobre o autor

Você também poderá gostar

Notícias

19/11 – Maringá Blues Festival

Comentários comentários

Notícias

Pesquisa Maringá + Criativa vai até dia 30 de setembro

As informações serão reunidas em um mapa criativo da cidade A pesquisa pública que vai apontar os passos para transformar Maringá numa cidade cada vez mais criativa fica no ar

Notícias 0 comentários

Florescerro prepara novidades para apresentações na região

Circulação viabilizada pelo Viapar Cultural vai levar o espetáculo de Maringá para Campo Mourão, Paranavaí e Cascavel A maturidade da cena cultural de uma cidade depende diretamente da forma que