Trabalhadores criativos têm salários superiores à média
4 de abril de 2017 210 Visualizações

Trabalhadores criativos têm salários superiores à média

O Volume II da Coleção Atlas Econômico da Cultura, lançado nesta quarta-feira (5/4) pelo Ministério da Cultura (MinC), traz o artigo Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil: os profissionais criativos no cenário de crise, de autoria dos pesquisadores da Firjan Tatiana Sánchez, Joana Siqueira, Cesar Bedran e Gabriel Bichara Santini Pinto. O texto apresenta um fluxograma da Cadeia de Indústria Criativa no Brasil e a análise da indústria criativa entre 2013 e 2015, período marcado por profunda crise econômica nacional. Entre os dados apresentados, destaca-se o fato de que, em relação à remuneração média, os trabalhadores criativos apresentam salários significativamente superiores à média da economia. Enquanto o rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro foi de R$ 2.451 em 2015, o dos profissionais criativos atingiu R$ 6.270. Mesmo com pequeno recuo em relação ao observado em 2013, os trabalhadores criativos continuaram recebendo vencimentos pouco mais de duas vezes e meia superiores aos empregados formais brasileiros.

Além disso, o estudo aponta que a publicidade foi o segmento que mais cresceu em número de empregados: foram 19 mil postos de trabalho criados, o que representa um incremento de quase 17% dessa mão de obra qualificada em relação a 2013.

 

Indústria Criativa

Entende-se por trabalhador criativo o profissional que atua na chamada “indústria criativa”, aquela em que a cultura é utilizada como um insumo e que, embora possua essa dimensão cultural, tem como propósito principal a fabricação de produtos funcionais. Dessa forma, essas indústrias podem integrar elementos criativos em processos mais amplos, como é o caso da arquitetura e do design.

Em 2015, o Brasil tinha 851,2 mil profissionais criativos formalmente empregados, frente aos 850,4 mil registrados em 2013 nas quatro grandes áreas criativas segmentadas pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) – consumo, cultura, mídias e tecnologia. Entre essas quatro áreas, consumo e tecnologia respondem por mais de 80% dos trabalhadores criativos na economia brasileira em 2015, em grande medida conservando os resultados observados em 2013. A área do consumo é a mais numerosa, respondendo por pouco menos da metade dos profissionais criativos brasileiros (44,2% do total). Na tecnologia, manteve-se a tendência de crescimento já apresentada nos últimos anos, com a expansão de 2,4% entre 2013 e 2015, apesar da moderada redução no número de trabalhadores empregados em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no período.

Em sentido contrário, as áreas de mídias e consumo registraram recuo no número de trabalhadores formais entre 2013 e 2015: -6,2% e -1,2% respectivamente.

A pesquisa da Firjan propõe-se não apenas a atualizar as estatísticas sobre a classe criativa, mas também a responder aos seguintes questionamentos: Como se comportou a indústria criativa no Brasil durante o período de crise? Profissionais criativos seriam de fato estratégicos à atividade econômica em um momento de necessária diferenciação de produtos e serviços?

No estudo, os pesquisadores da Firjan afirmam que “será necessário fazer cada vez mais com cada vez menos, avançando nas agendas de eficiência e otimização de recursos, financeiros ou não. Este é o momento de renascimento e reorganização da economia, no qual a área criativa terá papel estratégico. Criativos buscam soluções para as questões que já existem e, mais importante, para aquelas que sequer estão totalmente formuladas”.

 

Maior profissionalização

Os pesquisadores da Firjan atribuem a remuneração mais elevada do setor criativo em relação aos demais setores da economia ao nível de qualificação e a especificidade do trabalho criativo. “A indústria criativa demanda trabalhadores com grau de formação e especialização cada vez mais elevado. Criativos gostam de desafios e são remunerados por isso.

A despeito da estabilidade dos empregos criativos frente a um mercado de trabalho em contração, foram observadas mudanças importantes no rol de profissionais que compõem os segmentos e áreas criativas, fenômeno identificado, em maior ou menor grau, em toda a economia criativa. Além de apontarem para a maior exigência de qualificação profissional – dada a ascensão de ocupações de maior complexidade técnica – os números observados evidenciam um claro movimento direcionado pela urgência em conhecer, ou melhor, reconhecer, o consumidor final e suas expectativas e comportamentos.

O segmento de publicidade, para além do avanço registrado, também vivenciou importantes mudanças no seu perfil ocupacional. Houve o avanço de profissões voltadas tanto à compreensão e avaliação das necessidades do mercado consumidor quanto à obtenção de melhorias na experiência de consumo.

Nesse sentido, na área de consumo, os segmentos de design e moda registraram importante mudança no perfil dos empregos gerados, com aumento das contratações em profissões específicas que indicam a maior preocupação das empresas com a agregação de valor e a valorização da experiência de consumo, em contraposição ao resultado agregado negativo da área.

 

Criativos na indústria clássica

Profissionais criativos estão presentes em quase todos os setores da economia e, inclusive, em sua maioria, estão fora dos setores considerados estritamente criativos (como escritórios de arquitetura e agências de publicidade). Em 2015, quatro em cada cinco profissionais criativos trabalhavam em outras empresas que não as usualmente associadas ao setor criativo, o que ratifica a importância e a geração de valor obtidas por meio de um diferencial criativo.

Esses profissionais têm posição estratégica, inclusive, dentro da indústria clássica: em 2015, dos 851 mil trabalhadores criativos mapeados, 199 mil atuavam na indústria de transformação e, em que pese a crise econômica e o recuo de quadros no período analisado (-9,0%), a mão de obra criativa empregada no setor registrou queda menos abrupta (-6,3%). Dessa forma, ainda que tenha ocorrido uma contração em termos absolutos, a participação dos criativos na indústria de transformação avançou em termos relativos, saindo de 2,7% do total em 2013 para 2,8% do total em 2015.

 

Atlas da Cultura

A Coleção Atlas Econômico da Cultura será composta de seis obras. As duas primeiras foram lançadas nesta quarta-feira (5/4), em evento no Itaú Cultural, em São Paulo, e são o pontapé inicial para o que promete ser a ferramenta que faltava para uma maior valorização da Cultura como um importante segmento na composição do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Os dois primeiros volumes do Atlas trazem o marco referencial teórico e metodológico, apresentam cases de outros países e dados já existentes de diversos segmentos em artigos de pesquisadores de instituições.

Apesar de existirem diferentes fontes de bases de dados para mensuração econômica de atividades culturais, os dados de economia da cultura de cada setor são heterogêneos e cada fonte usa diferentes metodologias. O Atlas trará os dados necessários para dimensionar o impacto de cada segmento cultural na economia do País, em levantamento construído com uma metodologia padrão nas diferentes regiões do Brasil.

 

FONTE – Assessoria de Imprensa | Ministério da Cultura

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