Empresários da economia criativa geram empregos com apoio do Governo do Estado

Empresários da economia criativa geram empregos com apoio do Governo do Estado

Em entrevista o diretor executivo do Instituto Cultural Ingá, Miguel Fernando, falou sobre a atuação do ICI e o potencial de avanços para o mercado

Há um ano, o empresário André Straube transformou um problema em negócio. O programa de computador que registrava as vendas de suas duas lanchonetes era lento e fazia Straube perder dinheiro. Ele decidiu, então, criar seu próprio programa, pois não encontrava um produto satisfatório no mercado. Ao fazer esse caminho – do problema à solução -, Straube percebeu que ideias podem ser lucrativas. Vendeu as lanchonetes e criou a i9algo, empresa do crescente setor da economia criativa no Paraná. “Minha empresa veio de uma necessidade que eu tive e a partir dela mudei de vida”, diz Straube.

A i9algo é uma desenvolvedora de ideias. Pela página da internet, recebe sugestões para criação de soluções que podem facilitar a vida das pessoas e resultar em bons negócios. Desde que foi criada, em 2015, já recebeu cerca de 50 sugestões. A primeira ideia a chegar ao mercado é de Straube e se chama Taxi ADV. Trata-se de uma tela digital que divulga publicidade e notícias instalada no encosto de cabeça em bancos de taxis da cidade do Rio de Janeiro.

O equipamento também traz informações sobre pontos turísticos, festas e eventos e disponibiliza carregadores de telefone celular para os passageiros. Ele está instalado em 430 táxis da cidade e alcança, por mês, cerca de 400 mil pessoas. Hoje, a i9algo emprega sete pessoas e pretende contratar mais, com planos de expansão para outras capitais.

O trabalho é feito em parceria com os taxistas, que agregam um serviço diversificado e ganham descontos dos locais que anunciam no equipamento. O colaborativismo – por meio da troca, do reconhecimento de grupos, de cooperativas e de coletivos geradores de valor e aprendizado – é uma forte característica dos empreendimentos criativos.

Para fazer a ideia virar negócio, Straube conta com o apoio da Incubadora Tecnológica do Tecpar (Intec). “Eles me deram uma estrutura muita bacana e, dessa maneira, eu aperfeiçoei o produto”, conta. O Tecpar já incubou cerca de 100 empresas, desde 1989, prestando assessoria em infraestrutura e disponibilizando técnicos de diversas áreas para auxiliar as pessoas no desenvolvimento de produtos e novos negócios.

“O Tecpar acompanha e fornece soluções inovadoras ao empreendedor e, dessa maneira, fomenta o desenvolvimento de novos negócios que vão criar emprego e movimentar a economia paranaense”, afirma o gerente de parques e incubadoras do Tecpar, Gilberto Passos Lima.

ECONOMIA CRIATIVA – A i9algo é uma dos muitas empresas brasileiras e paranaenses que fazem parte da economia criativa. O setor tem a criatividade e o conhecimento como matéria prima de produtos e serviços.

Grande parte das atividades da economia criativa vem da área de tecnologia, criatividade e cultura e envolve negócios de publicidade, arquitetura, artesanato, design, moda, audiovisual e arte. Outra parte significante é do setor de tecnologia e inovação, como o desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e aparelhos de celular.

No Brasil, a economia criativa é responsável por 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB). O Paraná ocupa a sexta posição entre os estados mais criativos, com participação de 1,6% do PIB Criativo Nacional, no ranking feito em 2014 pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), único mapeamento sobre o setor disponível no País. No Paraná, trabalham na cadeia da indústria criativa 671 mil pessoas. Só em Curitiba, o segmento é responsável por 22 mil empregos formais.

De acordo com o economista Gabriel Pinto, coordenador do programa Indústria Criativa da Firjan, a economia criativa abre oportunidades e é uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento, principalmente em momentos de crise. Para ele, é fundamental o apoio do Estado, como é o do Governo do Paraná, no fomento de novos negócios colaborativos e criativos, já que esses modelos oxigenam a economia. “A economia brasileira está no hospital e eu posso dizer que a indústria criativa é o oxigênio que o paciente está tomando para respirar e ter novas ideias”, afirma o economista.

MAIS APOIO – No Paraná, além da incubadora do Tecpar, o Governo do Estado apoia as empresas da economia criativa com leis de incentivo, projetos de capacitação, como o Paraná Criativo, e linhas de financiamento da Fomento Paraná.

O Paraná Criativo, programa da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná de promoção ao desenvolvimento sustentável a partir da Economia Criativa, faz parte da Rede Brasil Criativo, coordenada pelo Ministério da Cultura. O programa leva oficinas, palestras e capacitações a todas as regiões do Estado. O objetivo é mostrar o que é economia criativa e como transformar ideias e conhecimento em negócio.

“Hoje, no mundo inteiro, a economia criativa é uma das formas de maior crescimento dos países e, no Paraná, com essa iniciativa, a gente vai conseguir chegar mais perto do empreendedor”, afirma o secretário de Estado da Cultura, João Luiz Fiani.

É o caso do trabalho feito pelo Instituto Cultural Ingá, em Maringá. O instituto ajuda quem está começando na atividade cultural a desenvolver projetos profissionais, buscar recursos e encontrar mercado. O diretor executivo do instituto, Miguel Fernando, participou de oficinas e mesas redondas do programa Paraná Criativo e diz que o programa é fundamental para mostrar aos profissionais da área o potencial e avanços do mercado. “A gente tem que entender que existe a economia da cultura e o Governo do Estado é fundamental neste processo”.

Segundo Miguel Fernando, desde 2013 cerca de R$ 7 milhões foram movimentados com produção de filmes, peças de teatro e outras atividades culturais na região de Maringá.

Em 2017, o Estado vai oferecer um coworking público – salas com equipamentos, computador, acesso à internet e espaço para reunião.“Nesse local, os criativos poderão começar e alavancar os negócios sem muitos custos”, explica Aline Nazato, coordenadora de empreendedorismo e inovação da Incubadora Paraná Criativo.

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Fomento Paraná tem crédito para quem quer empreender

O programa Fomento Cultura, do Governo do Estado, oferece linhas de crédito da Fomento Paraná para empreendedores de micro e pequeno porte investirem na economia criativa. O projeto faz parte do Banco Empreendedor, criado pelo governador Beto Richa.

O acesso às linhas de crédito está condicionado às regras normais do Sistema Financeiro Nacional, com as respectivas exigências de cadastro, garantias e comprovação da capacidade de pagamento. Os recursos podem ser contratados por meio das linhas de microcrédito – em valores de até R$ 10 mil para pessoa física e de até R$ 20 mil para pessoa jurídica – e também pelas linhas destinadas a micro e pequenas empresas (com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões), que podem obter crédito de até R$ 100 mil.

Mais informações sobre a Fomento Cultura no portal www.fomento.pr.gov.br ou pelo telefone (41) 3200-5900.

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Tecpar tem incubadora para criativos

Empreendedores que queiram participar do programa de incubação do Tecpar podem fazer, ao longo do ano, a inscrição para concorrer a uma vaga em uma das duas unidades da Intec, em Curitiba e em Jacarezinho. Há vagas para a modalidade residente, quando a empresa fica nas dependências da Intec, e para a incubação não residente, quando o empresário não se instala na incubadora, mas conta com o apoio dos especialistas do instituto.

Podem participar do processo de incubação pessoas físicas, como universitários, pesquisadores e empreendedores que tenham um negócio inovador, ou ainda pessoas jurídicas. Em 27 anos, a Intec já deu suporte tecnológico a mais de 90 companhias.

Conheça a Intec pelo site intec.tecpar.br/comoincubar.

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