Captação: uma questão complexa

Captação: uma questão complexa

Mônica Herculano para o Cultura e Mercado

“Existem muitos captadores de recursos no Brasil, o problema é que eles não fazem só isso ou não se identificam, não se assumem captadores. A profissão ainda não é regulamentada e reconhecida. É uma questão complexa.”

A afirmação é de Daniele Torres, diretora da Companhia da Cultura (elaboração de projetos e captação de recursos). Para ela, é raro encontrar o captador que efetivamente só capte e que atenda à demanda de produtores e artistas que querem alguém exclusivamente para buscar recursos para seus programas e ações.

A falta de formação específica também contribui. “Os profissionais que atuam nessa área geralmente têm formação diversa e exercem diferentes atividades, acumulando a captação com outras tarefas”, diz. Tendo isso em vista, Daniele criou aFormação em Captação de Recursos, uma jornada de 60 horas de aula, com 14 especialistas, queCultura e Mercado promove em São Paulo, de 13 de setembro a 29 de novembro, e já está em sua 3ª edição.

João Paulo Vergueiro, diretor executivo da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), concorda que faltam profissionais qualificados para fazer captação de recursos hoje no Brasil. Ele conta que a ABCR tem divulgado cada vez mais vagas, mas percebe-se que muitas delas não são preenchidas. “Poucos conhecem a área, por isso não há muita entrada de novos profissionais para suprir a demanda”, afirma. Um dos motivos é que, em geral, os melhores captadores já estão vinculados a alguma organização, já estão contratados, e não conseguem atender a mais demandas.

Mas o que caracteriza os melhores captadores? Segundo Vergueiro, um bom captador de recursos é aquele que, antes de tudo, entende que o doador não é dele, mas sim da organização ou do projeto em nome de quem ele capta. “O captador também entende a importância do pedido, e o impacto que vai trazer para o projeto pretendido, que vai além de uma mera transação econômica”, explica. Além disso, segundo ele, o captador deve ser transparente em suas ações, e promover a transparência também entre o doador e quem recebe o recurso.

Daniele completa: o captador precisa ser alguém muito bem relacionado, bem informado, necessariamente articulado e bom de negociação. Precisa ser alguém persistente e com boa autoestima, com paciência para ouvir “não” e seguir em frente. Não pode ser uma pessoa que se frustra facilmente. “O sucesso de um captador é feito com uma coleção de insucessos, então não é qualquer pessoa que lida bem com isso. Além disso, precisa ser uma pessoa que trabalha bem sob pressão, afinal é nele que se concentram as expectativas de toda uma equipe de um projeto cultural pela sua realização ou não.”

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