Pela boa gestão de negócios audiovisuais
8 de abril de 2016 984 Visualizações

Pela boa gestão de negócios audiovisuais

Com a criação do Fundo Setorial do Audiovisual em 2006 e a Lei 12.485 de 2011, observou-se a entrada de diversos players no mercado audiovisual brasileiro e, com isso, a necessidade da construção de propriedades intelectuais sólidas e lucrativas.

Tendo isso em vista, o site Cultura e Mercado apresenta, de 3 a 31 de maio, em São Paulo (SP), o curso Gestão de Projetos Audiovisuais. Coordenado por Marina Bouças, o curso tem como objetivo ajudar gestores, produtores e empreendedores a entenderem as etapas contempladas na construção de uma propriedade intelectual, abrangendo desde os conceitos mais básicos e introdutórios até as práticas negociais mais usuais, do desenvolvimento de um projeto à sua distribuição. Além disso, serão analisadas as diversas fontes de financiamento existentes no mercado audiovisual, como os Funcines, patrocínios incentivados, coproduções, product placement etc.

Formada em cinema pela PUC-Rio e com MBA em gestão empresarial em andamento pela FGV, Marina tem experiência como produtora e assistente de direção para publicidade, curta-metragem e conteúdo para web. Foi gerente comercial da RioFilme, onde atuou de 2010 a 2014 e, atualmente, integra a equipe de Bussiness Affair da produtora Coração da Selva.

Confira abaixo trechos de entrevista que Marina Bouças concedeu ao site Cultura e Mercado:

Cultura e Mercado – Falamos muito sobre os aspectos positivos da lei 12.485, o quanto ela foi benéfica para o setor audiovisual brasileiro. No entanto, toda medida que inclui mais players no mercado, traz também novas demandas. Quais as principais necessidades que surgiram para quem trabalha nessa área nos últimos 5 anos?

Marina Bouças – O aumento da concorrência dos canais por projetos gera mais oportunidade para a produção independente. Ao mesmo tempo, as exigências dos canais com a qualidade e prazo dos produtos entregues obrigam o produtor a aprimorar seu processo de gestão, incluindo a compreensão de distintos modelos de negócio que vão impactar na monetização de cada conteúdo.

CeM – A questão da propriedade intelectual é complexa. Quais as principais dificuldades encontradas pelos profissionais da área nesse sentido?

MB – Para que se obtenham propriedades intelectuais sólidas, é necessário a identificação de produtos competitivos, capazes de gerar receitas em diferentes plataformas e também, eventualmente, subprodutos a serem licenciados. Para que isso aconteça é importante que o produtor conheça seu conteúdo profundamente, sabendo identificar quem é o seu público alvo e como ele consome conteúdo, para assim montar planos de negócios coerentes e lucrativos para seus produtos. Ainda temos poucos cursos de formação em gestão de negócios audiovisuais, penso que essa é uma das grandes carências do setor e acaba resultando em planos de negócios inconsistentes, o que por sua vez dificulta a construção de propriedades sólidas.

CeM – No que diz respeito ao financiamento e licenciamento dos projetos, como tem sido a relação entre produtores e canais de distribuição? De maneira geral, os acordos têm sido mais facilmente definidos do que era antes da lei?

MB – Em muitos aspectos sim. Hoje existem limites contratuais estabelecidos pela lei que são muito benéficos ao produtor, como o prazo máximo que dura uma licença, a porcentagem mínima que uma produtora deve deter de um conteúdo etc. Hoje um canal não pode obter exclusividade por um conteúdo independente durante 70 anos, por exemplo. E sem dúvida a lei trouxe uma aproximação das produtoras com os canais. Com a exigência por conteúdo independente, os canais tiveram que se abrir mais para essa aproximação, passou a ser necessário produzir mais do que o dobro do que era produzido antes no país, logo passou-se a ser necessário conhecer e trabalhar com mais produtoras.

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