Ecos do Ingá: Mostra de Música Instrumental
27 de abril de 2016 1209 Visualizações

Ecos do Ingá: Mostra de Música Instrumental

O projeto ECOS DO INGÁ: MOSTRA DE MÚSICA INSTRUMENTAL, realizado pelo Cottonet Clube, é uma mostra que, em cada ano de sua realização, homenageará um gênero específico da música instrumental ou erudita. A primeira edição vai acontecer em Maringá/PR com 05 apresentações artísticas ao ar livre no Parque do Ingá. Serão convidados grupos do gênero musical homenageado, sendo três grupos da região e dois de renome nacional. Haverá também uma programação pedagógica em que serão realizadas oficinas de formação gratuitas. Em sua primeira edição o “Ecos do Ingá” pretende homenagear o “Choro”, popularmente chamado de chorinho, que é um gênero de música instrumental que pode ser considerado como a primeira música urbana tipicamente brasileira.

O “chorinho” surgiu quando o músico popular passou a utilizar o improviso para executar, ao seu estilo, a música importada e consumida nos salões e bailes da alta sociedade do Império, a partir da metade do século XIX. Com a criatividade dos “chorões”, logo a música resultante perdeu as características dos seus países originários e adquiriu feições genuinamente brasileiras e populares. Entendendo essa característica em sua origem, acreditamos ser o “chorinho” o gênero ideal para a primeira edição da mostra, por termos como objetivo a formação de plateia e também do cidadão.

Outro ponto importante é a consolidação da informação cultural. Para isso há necessidade de um olhar atento para os músicos da região e a mostra irá promover oficinas gratuitas do gênero homenageado, abordando temas como apreciação musical, instrumentos específicos, rítmicas, forma e história, com o intuito de formar os músicos da região.

INFORMAÇÕES SOBRE OS ARTISTAS

Clube do Choro-4

CLUBE DO CHORO DE LONDRINA

O surgimento do Choro em Londrina se funde à própria história da cidade. Em meados da década de 1950 chegou em Londrina Frederico Belinato, representante comercial, poliglota, paulistano de origem e “chorão” nas horas vagas. Tocava (como é comum no Choro) vários instrumentos: bandolim, violão tenor e cavaquinho.  Com o passar dos anos Belinato e outros músicos de Choro (inclusive um cantor) passaram a compor o regional que se apresentaria por mais de dez anos, todos os sábados à noite, na então TV Coroados, fazendo a alegria da cidade com hábitos ainda bem provincianos.

Como é natural em qualquer grupo musical que se perpetua no tempo, muitos músicos saíram, mudavam de cidade e outros novos entravam, especialmente cidadãos de outros estados como Minas Gerais e interior de São Paulo. Saiu Peixoto no violão seis cordas e entrou Roberto Guerra Neto, comerciante de profissão e violonista. Entrou Valmor Silva, marceneiro e cavaquinista solo. Por volta da década de 70 entra Alberto Barroso Neto, professor de matemática, cavaquinista e bandolinista. Isso somente para citar alguns chorões que se encontram vivos e residentes na cidade.

Na década de 70 o grupo se organizou melhor, contando com ensaios semanais no Edifício Júlio Fugantti, fundindo o nome de Clube do Choro de Londrina e recebendo na cidade o então maior festival de Choro do país: 1º Encontro Nacional do Choro contou com os mais célebres chorões do Brasil, entre eles Altamiro Carrilho, grupo Época de Ouro, Zé da Velha e Silvério Pontes, grupo Chapéu de Palha, Ademilde Fonseca, entre outros.

O Clube do Choro de Londrina realizou apresentações em muitos estados brasileiros, ao vivo nas rádios Atalaia e Londrina, show no Paraguai e hoje ainda se apresenta constantemente na rádio UEL, RPC TV, em bares, restaurantes, teatros e casas de show. A cada ano o grupo agrega mais entusiastas ao gênero e promove ações que fomentam essa música tão respeitada, promovendo conjuntamente o prestígio de Londrina ao cenário musical nacional. Entre essas iniciativas estão a realização de pelo menos três rodas de Choro semanais espalhadas por estabelecimentos comerciais nos arredores da cidade, a Oficina de Choro que já existe há alguns anos e desperta o interesse de jovens para o gênero, o fomento de novos compositores e arranjadores que criam dentro da linguagem do Choro, etc.

Hoje o grupo que se apresenta pelo nome de Clube do Choro de Londrina conta com os seguintes instrumentistas: Charles da Flauta – flauta transversal, Guilherme Araújo – bandolim 10 cordas, Guilherme Zanluchi – cavaquinho, Osório Perez – violão sete cordas e André Coudeiro – pandeiro.

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GERALDINHO DO CAVACO

Considerado uma referência musical para os novos sambistas e um ícone de simplicidade, profissionalismo e alegria entre seus contemporâneos. Nascido no interior de São Paulo, ainda na adolescência mudou com sua família para Maringá. A identificação com o cavaquinho surgiu por influência dos pais e evolui sob inspiração de Valter AzevedoJacó do BandolimGaroto e outros.

Geraldo do Cavaco dividiu o palco com importantes parceiros como, por exemplo, o grande amigo Sebastião Móbile, Assis, Hellington Lopes, Bebezão, Dr. Celso Barreto, Nenê Ribite e o filho caçula Juliano, entre outros. Durante a vida, tocou em quase todos os bares, casas de show e clubes de Maringá. Em algumas ocasiões, acompanhou artistas de renome: Cauby Peixoto, Almir Guineto, Nelson Gonçalves, Silvio Caldas e Neguinho da Beija-Flor.

A habilidade em aproximar o cavaquinho de outros ritmos musicais rendeu convites para morar em capitais como São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e até Portugal. Mas sempre recusou. “Maringá representa tudo o que tenho. Minha família, minha profissão. Sou muito grato à cidade que acolheu a mim, meus pais e irmãos. Sinto orgulho ao dizer que sou maringaense de coração”, afirma o músico que representa a cidade onde quer que vá.

Bandolim Brasil

BANDOLIM BRASIL

É assim intitulado por ter o bandolim como instrumento solista e se dedicar à interpretação instrumental do vasto repertório da música popular brasileira, onde inclui-se vários rimos tais como o maxixe, o choro, o xote, o baião, o frevo e o samba.

No enfoque de divulgar a música instrumental objetivando incentivar a formação de novos músicos e apreciadores deste gênero, bem como valorizar a nossa cultura, o grupo iniciou suas atividades acompanhando o Grupo Brasilis de Danças Folclóricas e populares, projeto coordenado pelo Professor Doutor Rogério Massarotto, do Departamento de Educação Física da UEM de 2001 à 2005. Posteriormente partiu para um trabalho independente com várias formações diferentes, até chegar à atual com bandolim, cavaquinho, violões e percussão.

É também o Grupo de Choro da Escola de Música da UEM, projeto este que se realiza desde 2010 com apresentações em eventos para a comunidade acadêmica de Maringá e região. http://www.bandolimbrasil.com.br/

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SÉRGIO ALBACH E REGIONAL DO CHORO

Sérgio Albach tem se demonstrado um versátil e requisitado instrumentista para a gravação de CDs, participação em concertos, espetáculos musicais e teatrais, arranjos e composições.

É graduado na Escola de Música e Belas Artes em Licenciatura em Música. Já há 12 anos como curador da Oficina de Música Popular Brasileira de Curitiba, o músico tem realizado um trabalho que permite a troca de experiências entre estudantes e profissionais da música brasileira. Também fez a curadoria da programação da Caixa Cultural Nacional por quatro anos.

Dirigiu importantes produções musicais como “Uma Rosa Para Elizeth” e “Noël”, com lançamento de CD em 2009. Também compôs trilhas sonoras para peças teatrais e espetáculos de dança e vídeo. Como diretor artístico da Orquestra à Base de Sopro de Curitiba produziu o CD “Mestre Waltel”, um DVD gravado ao vivo com Arrigo Barnabé, outro com composições de músicos da orquestra, outro com Gabriele Mirabassi, além de excelentes espetáculos que levaram ao público a pesquisa e a valorização da música brasileira, com a presença de vários convidados, tais como Nelson Ayres, André Mehmari, Proveta, Laércio de Freitas, Toninho Ferragutti, Léa Freire, Vittor Santos, Itiberê Zwarg, Joyce Moreno, Emílio Santiago entre outros.

Como pesquisador do choro, criou os projetos “Choro no Sebo”, “No TUC tem Choro” e em 2001 a “Roda de Choro do Conservatório de MPB” que existe até hoje. Como clarinetista, lançou seu primeiro CD solo em 2010, o “Clarineteando”, e já soma mais de 50 participações em Cds. Faz parte do “Mano a Mano Trio” ao lado de Glauco Sölter e Vina Lacerda, grupo que já excursionou para a Itália, Suíça, Peru e Argentina e lançou seu primeiro CD em 2012.

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HAMILTON DE HOLANDA

Começou a tocar aos 5 anos e hoje, 18 anos depois de adicionar duas cordas extras, 10 no total, reinventa o bandolim mundial e liberta o emblemático instrumento brasileiro do legado de algumas de suas influências e gêneros. Nos EUA, a imprensa logo o apelidou de “Jimmy Hendrix do bandolim”.

Aos 40 anos, 35 deles de carreira profissional, imprime sua assinatura em sua maneira de tocar. O aumento do número de cordas e decibéis, aliados à velocidade de solos e improvisos, inspira uma nova geração e um novo som. Se é jazz, samba, rock, pop, lundu ou choro, não mais importa. A busca de Hamilton não é pelo novo, e sim por uma música focada na beleza e na espontaneidade. Diante dele, existe um novo mundo cheio de possibilidades. Seu norte é “Moderno é Tradição” e o importante não é passado, nem futuro, mas sim a intercessão entre esses dois, onde se confundem o momento presente, o “é” aqui e agora.

Hoje, Hamilton é um músico com estilo único. Passeia por diversos gêneros, tendo o bandolim como aglutinador de ideias. O Choro é sua primeira referência: seu primeiro repertório era composto por músicas de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth, entre outros. Cresceu ouvindo, também, muito samba, frevo e bossa nova. A Música Popular Brasileira é a matriz desde o início. Sua paixão e comprometimento com a música brasileira é tão grande que, a partir de sua iniciativa, no ano 2000 foi criado o Dia Nacional do Choro, que é comemorado todo dia 23 de abril, data de nascimento de Pixinguinha.

Em sua trajetória consta o prêmio de melhor instrumentista por unanimidade, na única edição e nas duas categorias – erudito e popular, do Icatu Hartford de Artes 2001, permitindo-lhe viver em Paris por um período de um ano, dando asas internacionais ao seu trabalho. Em janeiro de 2005 no Midem, principal feira de música do mundo, fez o show de lançamento oficial das comemorações do ano do Brasil na França e conquistou com “1 byte 10 cordas”, primeiro CD de bandolim 10 solo do mundo, o restrito título CHOC da mais importante publicação europeia de música “Le Monde de la Musique”. Hamilton carinhosamente recebeu da imprensa francesa o título de “Príncipe do Bandolim”, da Brasileira – Revista Bravo – “Rei” e de nomes como Hermeto, Maria Bethania, Djavan, Ivan Lins e João Bosco, citações como “Um dos melhores músicos do mundo”.

Participou de importantes solenidades, no Brasil e no Mundo, sendo convidado a tocar para presidentes e autoridades. Com uma carreira internacional solidificada, o bandolinista vem se apresentando em diversos eventos e festivais de grande importância. Já dividiu o palco com John Paul Jones (Led Zepellin), ChuchoValdes, Stefano Bollani Richard Galliano (melhor acordeonista do mundo), Richard Bona, Bella Fleck and the Flecktones além de uma noite singular com os músicos do Buena Vista Social Club. Consta também na sua discografia participações especiais nos Cds/Dvds de Maria Bethania, Djavan, Richard Galliano, Cesaria Évora, Beth Carvalho, Diogo Nogueira, Zélia Duncan, Dona Ivone Lara, Ivan Lins, João Bosco, entre outros. O bandolinista foi diversas vezes nominado ao Latin Grammy, sendo premiado na edição de 2015 (16º) na categoria Melhor Canção Brasileira com “Bossa Negra”, parceria com Diogo Nogueira e Marcos Portinari. Oito de seus discos configuram nas listas de indicações do prêmio: “Brasilianos” (entre os melhores discos instrumentais no Latin Grammy 2007), “Brasilianos 2” (entre os melhores discos de Jazz de 2008), “Luz da Aurora”, parceria com Yamandú Costa (indicado ao Melhor Disco Instrumental de 2010),“Brasilianos 3” (nominado nas categorias Melhor Disco Instrumental e Melhor Engenharia de Som de 2012), “Hamilton de Holanda Trio” (indicado entre os melhores discos de música Instrumental na edição de 2013), “Caprichos” (nominado ao Grammy de 2014 como Melhor Disco Instrumental), “Bossa Negra”(nominado Melhor Disco de Samba/Pagode de 2015 e nominado e premiado Melhor Canção Brasileira de 2015) e “Baile do Almeidinha” (nominado ao Latin Grammy 2015 como Melhor Engenharia de Som).

Entre os inúmeros prêmios que recebeu, Hamilton acumula o recorde de 11 vezes consagrado no Prêmio da Música Brasileira em diferentes categorias. Recentemente foi indicado ao alemão ECHO JAZZ, entre os melhores instrumentistas de jazz do mundo. Com o Quinteto Brasilianos, além de três vezes indicado ao Latin Grammy, foi vencedor do prêmio TIM, do Prêmio da Música Brasileira e da Revista Jazz+, como o melhor grupo e Hamilton de Holanda o melhor performer. Em constante produção, Hamilton enfileira 28 lançamentos. Em 2016, comemora 10 anos de seu premiado Quinteto Brasilianos.

Atualmente, se apresenta com o Hamilton de Holanda Trio, formado com Thiago da Serrinha (percussão) e André Vasconcellos (Contrabaixo); com O Trio Mundo, com Guto Wirtti (Contrabaixo) e Marcelo Caldi (acordeon e piano) e em duo com o pianista italiano Stefano Bollani. Lançou recentemente “Samba de Chico”, uma homenagem ao centenário do gênero com sambas de Chico Buarque. O trabalho traz a participação do compositor, da cantora catalã Silvia Perez e do italiano Bollani. E no ano que Hamilton de Holanda comemora seus 40 anos de vida, podem esperar muita música, encontros e novas produções.

SOBRE A OFICINA “Apreciação da Música Popular Brasileira” com Sérgio Albach

Dia: 21/05/16 às 9h no SESC. ENTRADA GRATUITA – Duração 3h

A Oficina ‘Apreciação da Música Popular Brasileira’ é direcionada a músicos e amantes da música brasileira que estão interessados em se aprofundar nos detalhes tanto do aspecto técnico como do histórico da nossa música. Por meio da audição das músicas, concatenadas com a história, cronologicamente, faremos uma verdadeira viagem pelos diversos gêneros que compõem este vasto universo; além das análises das partituras, tentando esclarecer onde estão as raízes e os elementos de cada estilo. Serão abordados também aspectos biográficos dos protagonistas da história da música brasileira, suas influências e curiosidades. Os participantes também terão a oportunidade de vivenciar os aspectos rítmicos e melódicos, executando com a voz, palmas e instrumentos para melhor assimilar o assunto abordado.

 

SERVIÇO:

  • 21 de Maio – Oficina de Apreciação da Música Popular Brasileira com Sérgio Albach

Local: SESC MARINGÁ – 9h – ENTRADA GRATUITA

  • 22 de Maio – Parque do Ingá – ENTRADA GRATUITA
  • Clube do Choro de Londrina (Londrina) – 14h30
  • Geraldinho do Cavaco (Maringá) – 16h
  • Bandolim Brasil (Maringá) – 17h30
  • Sérgio Albach e Regional do Choro (Curitiba) -19h
  • Hamilton de Holanda (Rio de Janeiro) – 20h30
LEI DE INCENTIVO À CULTURA
PATROCÍNIO: COPEL Telecom, ITAÚ e SANCOR SEGUROS
APOIO: Circula Paraná, Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, Prefeitura Municipal de Maringá, Sol Propaganda, Jazz & companhia, Verri & Galvão Arquitetura, Copacabana Print, Gráfica Caiuás, Rede Outdoor.
FOMENTO À CULTURA – Instituto Cultural Ingá
MÍDIA PARTNERS: O Diário, Mundo Livre FM, RPC
REALIZAÇÃO: COTTONET-CLUBE, Ministério da Cultura, Governo Federal – Brasil Pátria Educadora.
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Rachel Coelho – 2 Coelhos

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