Pela cultura e pelo negócio

Pela cultura e pelo negócio

Mônica Herculano para o Cultura e Mercado

Um grupo de empresários que nada têm a ver com o mercado cultural decide investir em uma produtora audiovisual de uma ONG. Um profissional do mercado financeiro resolve apostar na criação de uma rádio online. Um diretor de uma empresa de planos de saúde lança mão de recursos próprios para apoiar um espaço cultural que seria fechado por questões financeiras.

Tudo isso está acontecendo no Brasil e pode significar um ainda pequeno mas forte indício de que há sim outras formas de não só manter a cultura viva, mas fazê-la se desenvolver ainda mais mesmo em tempos de dificuldades econômicas.

Lançada em janeiro, a produtora AfroReggae Audiovisual nasceu justamente como uma solução de sustentabilidade em um ano em que os patrocínios começaram a cair muito – um corte de R$ 13 milhões em 2015, informou o criador da ONG, José Junior, ao jornal Valor Econômico. A ideia foi apresentar aos possíveis investidores uma nova possibilidade de apoio ao trabalho: com retorno financeiro.

Entre os empresários que toparam participar da nova empresa estão os ex-presidentes do banco Santander, Fabio Barbosa e Marcial Portela, e Paulo Ferraz, ex-Bozzano Simonsen, liderados pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Do outro lado há um fundo de investimento em audiovisual (Investimage I). A ONG é a principal acionista do negócio, com mais de 50% da participação. Isso deve se transformar na principal fonte de renda para o desenvolvimento dos projetos.

“O processo foi rápido e preciso. Os investidores procurados responderam positivamente, depois de analisar o business plan, a tese de investimento e o mercado. Não foi necessário fazer uma segunda rodada. Os números do setor, o histórico da empresa, a equipe envolvida e o planejamento apresentado foram elementos capazes de despertar um interesse imediato”, conta Sérgio Sá Leitão, ex-presidente da RioFilme e ex-secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, que assumiu a presidência da empresa.

Foi Sá Leitão quem elaborou, junto com Christian de Castro, da consultoria Zooks, o plano de negócios do novo empreendimento. Ele conta que o estudo foi apresentado inicialmente a investidores próximos, com histórico de interesse em novas empresas e mercados. E que embora não sejam ligados ao setor, todos demonstraram vontade de conhecer a atividade e identificaram o potencial de inovação e de rentabilidade do negócio. Só depois investidores ligados ao audiovisual, como a Investimage, foram procurados.

Para ele, que também está à frente dos projetos de cinema na produtora Sentimental Filme, os perfis de investidores são distintos entre uma empresa essencialmente comercial e outra com viés social. “A AfroReggae Audiovisual tem um foco temático preciso (a realidade social), uma equipe formada parcialmente por profissionais oriundos de comunidades e o fato de ter uma ONG como acionista majoritária. São elementos atraentes para um tipo de investidor, que busca combinar a rentabilidade com o impacto social. No caso da Sentimental Filme, não há o aspecto social envolvido. Mas há outros pontos igualmente atraentes para investidores.”

A AfroReggae Audiovisual já tem 13 projetos de séries e filmes negociados com canais de TV e distribuidoras. Há doc-realities, série de ficção, longa-metragem e também está prevista uma área voltada para produção de vídeos institucionais e branded content. Parte da equipe é formada por profissionais oriundos de comunidades e ex-detentos.

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