Editoras cartoneras driblam a crise com papelão e material reciclado
23 de março de 2016 1190 Visualizações

Editoras cartoneras driblam a crise com papelão e material reciclado

Às margens do mercado, casas que produzem livros baratos e artesanais ganham espaço

O livro mais recente do poeta Douglas Diegues foi lançado simultaneamente no Brasil e em mais seis países: Paraguai, México, Argentina, Chile, Peru e Espanha. A façanha, rara para um autor brasileiro que não seja Paulo Coelho, só foi possível porque a obra circula às margens do mercado tradicional. Escrito em portunhol selvagem, mistura de português, espanhol e guarani criada por Douglas, o volume de poemas “Tudo lo que você non sabe es mucho más que todo lo que você sabe” foi publicado por um pool de sete editoras cartoneras, que usam papelão e material reciclado para produzir livros baratos e artesanais em tiragens limitadas.

Surgido na Argentina, na década passada, o movimento das cartoneras (expressão derivada da palavra em espanhol para papelão, cartón) se espalhou pela América Latina e ganha força no Brasil. O lançamento internacional de Diegues, em pool liderado pela Vento Norte Cartonera, da cidade gaúcha de Santa Maria, é um dos exemplos da articulação cada vez maior das cartoneras brasileiras. Driblando a crise com criatividade, elas publicam autores novatos e nomes conhecidos, como Manoel de Barros, Alice Ruiz e Haroldo de Campos, a preços médios de R$ 10 a R$ 20. Entre as dezenas de iniciativas no país, há desde projetos já tradicionais, como a Dulcineia Catadora, fundada em 2006 em São Paulo, aos mais recentes, como o coletivo Liga Cartonera, baseado em Pernambuco.

 

MOVIMENTO SURGIU EM BUENOS AIRES

O próprio Diegues é criador de uma cartonera, a Yiyi Jambo. Foi fundada em 2007, em Assunção, quando ele vivia no Paraguai, mudou-se para Ponta Porã (MS) e agora será transferida para Campo Grande (MS), onde Diegues vai abrir um “ateliê cartonero” com oficinas para o público. A estética da editora é influenciada pelo trânsito. Este ano, Diegues criou o selo Expresso Muamba, em parceria com o poeta mineiro Bruno Brum, que já lançou livros de Wilson Bueno, Josely Vianna Baptista e Ricardo Aleixo. Seguindo a filosofia cartonera de tornar cada exemplar único, as capas de papelão são enfeitadas com fios de fibra de caraguatá das índias nivaklê do Chaco paraguaio.

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