“O espaço para a música brasileira na TV só diminui”

“O espaço para a música brasileira na TV só diminui”

Se um dia as emissoras de rádio e TV foram o berço da música popular brasileira, divulgando os diferentes cantos e ritmos que surgiam nas grandes cidades, com o passar dos anos, esses veículos se tornaram celeiros de produções musicais padronizadas, geralmente de grande apelo comercial. Sendo assim, os artistas que, atualmente, lançam discos autorais e se consolidam pela sensibilidade estética que foge de fórmulas popularescas raramente encontram visibilidade naquelas mídias.Idealizado e apresentado há 6 anos por Roberta Martinelli, o Cultura Livre é uma exceção.

Considerado um nicho de resistência, o programa começou na Rádio Cultura Brasil, de São Paulo, recebendo bandas que, independentemente de iniciantes ou consolidadas, fazem a música que acontece hoje nos espaços culturais, sem preocupação em seguir as tendências domainstream. Os artistas tocam suas canções, falam sobre a carreira e respondem perguntas enviadas pela audiência no chat.

Aos poucos, Roberta começou a experimentar com o formato de vídeo, filmando a transmissão com webcam ou celular e transmitindo ao vivo na internet via twitcam, além de gravar vinhetas de divulgação e difundi-las pelo Facebook. Não demorou para que o programa ganhasse uma versão televisiva, sendo transmitido em rede nacional pela TV Cultura, de modo que ligar a televisão nas quartas-feiras, à noite, tornou-se um ritual quase obrigatório para os fãs da música brasileira dita “independente.”

Não à toa, o Cultura Livre foi indicado, em 2014, ao Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) na categoria Melhor Programa de TV. Para Roberta, manter um programa de música na televisão só faz sentido quando reflete a vida real, isto é, falas espontâneas, sem ensaios, clima despojado, como se estivesse na sala de casa. “Por que a gente tem que fingir que é normal e equilibrado toda a hora na televisão? A TV tem um monte de gente montada. Isso é muito esquisito”, diz a apresentadora, que conversou com a Continente durante sua passagem por Olinda, no mês de janeiro. Além de discutir o modelo televisivo em voga, Roberta Martinelli falou do espaço para a música na televisão, da relação com os artistas pernambucanos, dos festivais brasileiros e dos obstáculos que enfrenta para se manter no ar. “Inventou-se essa regra de que música na TV não dá audiência. O Cultura Livre é um programa muito batalhado.”

Confira a entrevista na íntegra clicando aqui.

Comentários

comentários

Sobre o autor

Você também poderá gostar

Nacional

Distribuição e exibição: caminhos para o conteúdo audiovisual brasileiro

A produção audiovisual independente viveu, nos últimos anos, um boom de criação e produção, resultando em centenas de filmes e séries realizadas. Partimos de um universo de 14 filmes brasileiros

Notícias

Novas práticas na curadoria de artes

Mônica Herculano para o Cultura e Mercado Curadoria é uma profissão relativamente nova, que vem atraindo pessoas com perfis bastante diferentes nos últimos anos. “Sob influência direta de estratégias do

Artigo

Imitando o camaleão na Era Pós-digital

*Por Arieta Arruda Dentro dos corredores de Recursos Humanos das empresas, nas salas de gestores de alto escalão e nos cantinhos das startups muito se fala sobre a importância de