“Precisamos ver a diversidade como riqueza e não tragédia”

“Gosto de convidar as pessoas para imaginar um mundo onde tudo que foi feito de maravilhoso, de sutil, de incrível, fosse feito pelos negros”. Nesse mesmo mundo, os bons, sábios e bem-sucedidos seriam negros e os maus e bandidos, brancos. Em entrevista exclusiva para o Ministério da Cultura (MinC), a consulesa da França no Brasil, Alexandra Baldeh Loras, convida o leitor a inverter os papéis que as histórias infantis, o cinema e a mídia reforçam e a refletir sobre o preconceito e as dificuldades que os negros enfrentam desde pequenos em suas vidas e na formação de suas identidades – realidade vivida tanto por ela, que cresceu na França, quanto por outros negros nos mais diversos países.
No Brasil desde 2012, Alexandra já morou em locais como Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra e conhece mais de 50 países. É casada com o cônsul-geral da França no Brasil, Damien Loras, e mãe de um garotinho branco. Conhece cinco idiomas, tem graduação em marketing e é mestre em Gestão de Mídia pelo famoso Institut d’Études Politiques de Paris (mais conhecido como Sciences Po). Também atuou como jornalista e apresentadora na TV francesa.
Atualmente, escreve um blog com o seu nome e dá palestras e seminários sobre a questão do negro no Brasil e no mundo. A estratégia nos discursos é incentivar uma revisão de conceitos, combater o racismo velado e lutar por um maior respeito à diversidade, por uma sociedade “em que a cor da pele de uma pessoa seja apenas um detalhe, assim como a cor do cabelo”. “O racismo existe. Primeiro, precisamos enxergar que ele existe e enxergar a diversidade como uma riqueza e não como uma tragédia”, destacou a consulesa, que afirma já ter sofrido preconceito pela cor de sua pele.
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A violência, sobretudo contra a juventude negra, foi outro tema abordado pela consulesa. “O Brasil é o país do otimismo, da alegria, do Carnaval, mas também tem uma dualidade, uma violência que faz com que tenham mais mortos aqui do que na maioria dos conflitos modernos que estão acontecendo hoje”, afirmou. Dados da Anistia Internacional no Brasil apontam que 192 mil brasileiros foram mortos, entre 2004 e 2007, contra 170 mil em países em conflito como Afeganistão, Iraque e Sudão.
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De acordo com o Mapa da Violência, divulgado em 2015, uma em cada três mortes na faixa de 15 a 29 anos (ou 33%) no Brasil deve ser creditada às armas de fogo. Enquanto as taxas de brancos assassinados por arma de fogo caíram 23% (de 14,5% em 2003 para 11,8% em 2012); a de negros aumentou 14,1% (de 24,9% para 28,5%). Realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o estudo tomou como base a análise dos homicídios no país com infdormações do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde.
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Emergências
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Em dezembro passado, Alexandra foi convidada do MinC para participar do Emergências, evento que discutiu ativismo, cultura e política. Ela esteve presente na mesa Juventude Viva e Segurança Pública, na qual debateu com convidados do Brasil, Estados Unidos, França e Uruguai.
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Ao final do seminário, ela conversou com o MinC Reportagem. Confira no início do texto a íntegra da entrevista ou, abaixo, os vídeos mais curtos com os temas: baixa autoestima dos jovens negros; a falta de representatividade positiva do afrodescendente no mundo; o racismo; a violência; as possibilidades de reparação e sobre o evento Emergências.
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