Pelo patrimônio cinematográfico

Pelo patrimônio cinematográfico

Mônica Herculano para o Cultura e Mercado

Encerrada na última quarta-feira (4/11), a 39ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo prestou homenagem à The Film Foundation, instituição criada há 25 anos pelo cineasta Martin Scorsese com o objetivo de proteger e preservar a história do cinema.

Em parceria com cinematecas e estúdios de diversos lugares do mundo, a fundação já restaurou mais de 700 filmes, que são apresentados em festivais, mostras, museus e instituições de ensino. Em São Paulo, foram exibidos 25 títulos, incluindo clássicos como “Rocco e seus Irmãos”, “Juventude Transviada”, “Sindicato dos Ladrões” e “Limite” (do brasileiro Mário Peixoto). “A preservação pela preservação não é nosso objetivo. Não queremos preservar algo e colocar em um cofre para nunca ser visto. A ideia é que [o filme] seja preservado para a posteridade, para o futuro, mas sempre garantindo que as pessoas vão assistir”, disse Margaret Bodde, diretora da The Film Foundation, em entrevista ao site da Mostra.

Ela contou que, quando a fundação foi criada, em 1990, havia pouca consciência quanto à importância da preservação cinematográfica. Alguns estúdios em Los Angeles começavam a implementar programas, mas muitos não perceberam essa necessidade até descobrirem que, para lançar algo em home video, precisariam voltar ao negativo. “É preciso abrir a caixa, tirar o negativo, olhar para ele, ver que precisa ser restaurado, que tem um rasgo, que tem mofo. Uma série de problemas aparece quando você de fato olha para o negativo”, explicou. Em uma década em que o mercado de home video começava a crescer, não preservar os filmes significaria não conseguir ganhar dinheiro.

Segundo Margaret, o mercado de vídeo beneficiou a preservação de filmes mais do que qualquer outra coisa. Além disso, ajudou o fato de Martin Scorsese, Steven Spielberg, Christopher Nolan, Wes Anderson e outros cineastas terem falado sobre a importância dos filmes do passado para seus trabalhos atuais. Agora, a queda das vendas de vídeos e do lucro dos estúdios tem prejudicado esse tipo de atividade. “Porque a primeira coisa que cortam é [o orçamento destinado à] restauração, já que querem usar o dinheiro para fazer novos filmes.”

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