Economia colaborativa traz negócios em busca de um mundo melhor

Economia colaborativa traz negócios em busca de um mundo melhor

Já imaginou viver em um mundo em que a moeda vigente é a da cooperação? Então comece a visualizar esta realidade e a pensar em meios de se inserir nela;  pois pequenas iniciativas – com um enorme potencial transformador – estão surgindo e anunciando uma nova era: a da economia colaborativa.

O que isso significa? Um amadurecimento socioeconômico em que pessoas e empresas se comprometem com o bem-estar coletivo, visando um resultado que ultrapassa a simples vantagem monetária.  Aqui a essência não é o aspecto financeiro, mas a experiência. O valor monetário, neste ideal econômico, perde espaço para o compartilhamento, a troca e a interação entre pessoas.

Segundo a linguista mestre em economia, Patrizia Bittencourt, a colaboração emerge da geração de valor a partir de relacionamentos interpessoais: “A economia colaborativa acontece quando pessoas possuem um propósito comum e ativam uma interação baseada na confiança e na reciprocidade. Esta reciprocidade pode ser monetária, voluntária, compartilhamento de bens e espaços, uma troca de serviços, objetos ou experiências”.

O que existe de substancial e revolucionário nisto, como ressalta a especialista, é o relacionamento, o vínculo que se firma coletivamente: “A economia tradicional, fruto da sociedade industrial, baseia-se no aumento da produção ou na qualidade desta produção. A economia colaborativa, por sua vez, modifica a maneira habitual de criação de valor. O valor é determinado pela capacidade de gerar interação entre pessoas e pela resignificação do que são os bens comuns. Estamos mais atentos à cultura do cuidar; cuidado próprio, com o outro, com o coletivo, com o planeta. Estamos falando de empatia, de capacidade de entender as necessidades do outro e gerar um valor a partir disto. É um momento de transição no qual convivemos com a economia linear, ao lado de uma exponencial, baseada em bens comuns, conhecimento, criatividade e confiança”, explica Patrizia.

 

Gastronomia e colaboração: conheça o Ecozinha

Confiança é a palavra-chave e pilar de sustentação do empreendimento curitibano de Fátima Mazarão, o Ecozinha. Criado em 2014, o projeto de culinária vegana oferece almoços semanais dentro de um espaço colaborativo – mantido através de financiamento coletivo – e também atua como cozinha itinerante. Mas o grande diferencial do Ecozinha está na sua prática econômica: “Nossas despesas são abertas aos consumidores. Trabalhamos com essa questão da transparência dos custos e não colocamos valor monetário em nossos pratos. É o cliente quem vai dizer quanto vale a refeição e a experiência que oferecemos. Este valor não precisa ser pago necessariamente em dinheiro, pode ser revertido na oferta de outro serviço, por exemplo”, detalha Fátima.

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