Criatividade, Cultura e Turismo: o tripé estratégico da economia regional

Criatividade, Cultura e Turismo: o tripé estratégico da economia regional

Miguel Fernando, diretor executivo do Instituto Cultural Ingá

“Em tempos de crise é que surgem as grandes oportunidades”. Pode parecer clichê, mas a velha máxima vem valendo mais do que nunca nos últimos meses. De um lado, o dólar oscilando perto dos R$ 4; do outro, a crise política tencionando ao extremo a economia brasileira.

Se para setores como o da Indústria está cada vez mais difícil apresentar resultados positivos, o que se esperar para os diferentes segmentos que compõem a complexa cadeia da Cultura?

Se compararmos 2014 com 2015, os recursos aportados por meio da Lei Rouanet no Paraná reduziram drasticamente até a presente data. A queda foi de 71%. Mesmo restando contabilizar o último trimestre do ano e eventuais saldos que possam ser agregados, espera-se uma retração próxima a 50%. Ou seja, algo perto de R$ 30 mi em face dos mais de R$ 60 mi do ano anterior.

Ao contrário do que possa parecer, as empresas não deixaram de acreditar nos projetos culturais paranaenses. A história é um pouco diferente.

A destinação de recursos para a Lei Rouanet é balizada no resultado financeiro das empresas e consequente tributação do Imposto de Renda. Logo, se as Pessoas Jurídicas não apresentarem lucro, elas não poderão destinar recursos por meio dessa plataforma – que é a maior financiadora cultural do Brasil. É uma conta simples.

Mesmo com os vários editais nacionais que tem apresentado bons resultados para o interior do país – como é o caso de Maringá, que tem vencido diversos prêmios nos últimos anos (Prêmio Myriam Muniz; Funarte Caixa Carequinha de Estímulo ao Circo; Ocupação do CEU das Artes; só para citar alguns) – resta aos agentes e gestores, públicos e privados, encontrarem mecanismos de geração de novos valores aos habituais produtos.

Como fazer isso? Apesar de não ser um processo, sobremaneira, simples, encontraremos algumas respostas junto aos princípios da Economia Criativa.

Há vários livros sobre o tema na Garimpo de Soluções, empresa gerida por uma das maiores especialistas no tema, Ana Carla Fonseca Reis. Vale a pena a leitura de cada um deles. A maioria, você pode baixar gratuitamente. (link – http://garimpodesolucoes.com.br/o-que-fazemos/livros/)

Em resumo, a Economia Criativa é composta por ações que, pensadas estrategicamente, desenvolvem saberes e conhecimentos que geram algum tipo de valor a um determinado produto.

O Turismo Criativo é um exemplo prático deste processo. Apesar de um conceito ainda mais recente, propõem-se o consumo das experiências das viagens, de tudo aquilo de intangível que uma região pode proporcionar. Além disso, busca-se roteiros alternativos, que fogem dos atrativos habituais, para que se apresente cada vez mais exclusividade e diferenciais aos viajantes.

Ir para o Rio de Janeiro ou Salvador pode ser interessante. Mas praticar rapel no Pão de Açúcar ou jogar capoeira com mestres no Pelourinho são experiências ainda mais significativas. Exemplos mais pitorescos podem ser destacados, como o do Hotel Stanley.

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Hotel Stanley, locação para o filme “O Iluminado”, produzido em 1980.

 

O que fazer com um hotel abandonado ou fechado? O Hotel Stanley, localizado no Colorado (EUA), poderá se transformar no primeiro Museu de Filmes de Terror do Mundo. Aliado ao legado deixado pelo filme “O Iluminado” – inspirado na obra de Sthephen King e dirigido por Stanley Kubrick -, que foi filmado em suas instalações, o Stanley Films Center (nome proposto ao museu) está em processo de captação de U$ 24 milhões para transformar este sonho em realidade.

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Hotel Bandeirantes, em Maringá-PR. Construído na década de 1950 e tombado como patrimônio do Estado, está fechado desde 2005. Similaridades e desafios.

Trazendo esse princípio que alia Cultura e Turismo para nossa região, vejamos alguns exemplos que poderiam ser explorados como experiências diferenciadas: rapel na Catedral Nossa Senhora da Glória – considera a 5ª mais bela da América do Sul; caminhadas rurais à grutas e Capelas históricas; aulas de danças com grupos típicos e tradicionais, como a Congada Lapiana e Folia de Reis; criação de uma Feira Gastronômica do Cachorro-Quente; colônia de Férias no Parque do Ingá ou Horto Florestal, podendo envolver grupos de escoteiros e passeios noturnos pela mata; visitas guiadas a bustos instalados em praças e espaços públicos; entre outras infinitas possibilidades que agregariam valor a alguns pontos de uma cidade.

Por isso, nesse período de embates políticos que geram retrações econômicas, os empreendedores criativos precisam, mais do que nunca, aproximar-se da Cultura e do Turismo, propondo novas perspectivas aos atrativos já existentes.

Se gostou do conceito de Turismo Criativo, visite o site da Sabiar (https://www.sabiar.com/), empresa especializada no tema. Quem sabe surge uma oportunidade de negócio.

Miguel Fernando é diretor executivo do Instituto Cultural Ingá, bacharel em Turismo e Hotelaria com especialização em História e Sociedade do Brasil e técnico em Gestão Cultural.

 

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